Gêneros Literários: Fantásia

Desde a antiguidade, as pessoas usam imagens de seres mitológicos, seja para justificar suas crenças ou criar valores. As histórias contadas na oralidade passavam de geração a geração e retravam divindades, mistérios do universo, heróis desse ou de outros mundos e tempos, entre outros arquétipos do ser humano. Com o passar dos anos e o avanço da ciência, muitos mistérios foram justificados, crenças foram se tornando apenas mitos e o sagrado passou a ser cada vez menos valorizado. Mas as histórias continuaram presentes na vida das pessoas, como as lendas do folclore, os contos de fadas, entre outros.

Esse tipo de literatura é definido pela presença de um universo diferente da realidade. Segundo o crítico literário Roger Caillois, ela “manifesta um escândalo, uma ruptura, uma irrupção insólita, quase insuportável, no mundo real”.

As primeiras obras definidas como fantasia foram criadas no século XIX com o membro da irmandade pré-rafaelita William Morris, considerado o pioneiro do gênero com a obra “The Well at the World’s End” (o Poço no Fim do Mundo). Além dele, Edward Plunkett e Lord Dunsany foram os principais nomes do gênero no século XX.

Senhor dos Anéis

imagem: MHD

Em 1923, foi criada a revista norte-americana Weird Tales, primeira revista dedicada a fantasia. Desde então, diversas revistas foram criadas e o gênero passou a ser cada vez mais difundido. Importantes nomes da literatura fantástica foram surgindo, entre eles o escritor e filólogo J. R. R. Tolkien, criador de O Hobbit (1937) e O Senhor dos Anéis (1955) e o britânico C. S. Lewis, escritor dos sete volumes de As Crônicas de Nárnia (entre 1950 e 1956).

fatos harry potter (19)

imagem: awebic

O gênero continuou se popularizando nos dias atuais. Obras como o best seller Harry Potter (série de sete romances escritos entre 1998 e 2007 pela escritora J.K. Rowling) tornou-se um sucesso da literatura e foi adaptado para o cinema, assim como O Senhor dos Anéis. Além da televisão, podemos encontrar a fantasia nos jogos eletrônicos e no RPG de mesa.

fatos harry potter (10)

imagem: awebic

A fantasia é dividida entre os subgêneros: fantasia sombria (com elementos do terror), a alta fantasia (com a presença de mundos alternativos), a baixa fantasia (quando acontece no mundo real), a fantasia romântica (que envolve temas românticos, como amor ou drama) e a fantasia científica (com elementos da ficção científica).

 

Referências:

INFO ESCOLA

https://www.infoescola.com/generos-literarios/literatura-fantastica/

WIKIPÉDIA

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fantasia_(g%C3%AAnero)

Nova Canção do Exílio

Minha terra tem topeiras
Que não sabem argumentar.
Arriscando a vida alheia
Por preguiça de pensar.

É melhor no céu uma estrela
Que nos túmulos mais flores.
O meu voto é pela vida!
Com suas tribos, raças, cores.

Mas cismam que o açoite,
É a forma de mudar!
Minha terra tem topeiras,
Que não param pra pensar.

Terra que viu os horrores
De um regime militar.
Em cismar, sozinha, à noite,
Me proponho a questionar:
Como multidões inteiras
Acham que o certo é matar?!

Não permita Deus que eu morra,
Sem poder rememorar
As prisões, lutas e dores
Que tentaram me calar.
Meu nome é Democracia,
Me escolha ao votar!”

(Autor desconhecido)

Gêneros Literários: Terror

 

Estamos no mês do Halloween e nada melhor que começar essa série de conteúdos sobre os gêneros textuais com o Terror. Até o século XVII, o gênero foi influenciado pelas lendas, pela religião, pelo folclore e por mitos contados afim de explicar diversos fenômenos do universo. O medo, principal emoção explorada nas obras, era bastante usado como forma de dominação principalmente pelo cristianismo. O inferno era visto como forma de punir os pecadores.

Depois do século XVIII, com o iluminismo, houve uma necessidade maior de explicar o mundo de forma racional. O homem foi afastado da natureza e diversas áreas da ciência avançaram.

Nesse momento surgiram os elementos da literatura Gótica, como fantasmas considerados sobrenaturais. Esses elementos podem ser encontrados no gênero horror, que se diferencia do terror pela presença do sobrenatural enquanto o terror foca-se na construção do suspense. Um exemplo de romance gótico é O castelo de Otranto de Horace Walpole, escrito em 1764.

Resultado de imagem para terror

Imagem: Jovem Nerd

No século XIX, com o a valorização da ciência, as obras passam a se basear na racionalidade, como a obra de Maru Shelley, Frankenstein (1818) que teve como base as experiencias de Luigi Galvani. A psicologia e a psicanalise passam a explicar fenômenos antes vistos como possessão demoníaca ou por espíritos, dando outra visão para as narrativas, razão pela qual o terror pode ser associado tanto a fantasia quanto a ficção científica. Alguns dos principais nomes do gênero terror são Bram Sloker (1847 – 1912), que escreveu Drácula (1897), Edgar Allan Poe (1809 – 1849) e Ambrose Bierce (1842 – 1914).

No século XX, há uma exploração do espaço como cenário das obras de terror. Surge um novo conceito: o Horror Cósmico. Idealizado por Love Craft, autor do ensaio O Horror Sobrenatural na Literatura. Ainda no século XX, o drama passa a fazer parte do gênero como forma de atingir o público cada vez mais cético, trazendo conflitos pessoais dos personagens, como a obra O exorcista (1971) de William Peter Blatty e as obras de Stephen King.

 

Segundo Robert McKee, o terror pode ser dividido em três subgêneros: mistério (fonte do terror assombrosa, sujeita a explicações racionais), sobrenatural (fenômeno irracional do mundo dos espíritos), super mistério (público tenta adivinhar de qual subgênero é o fenômeno). Além disso, o gênero é composto pelos seguintes elementos: fusão (soma de duas condições contraditórias no mesmo ser), fissão (soma de condições, com divisão atemporal, no mesmo ser), magnificação / massificação (violação da natureza. Algo maior ou em maior número que o natural), metonímia (o ser é rodeado por elementos fóbicos).

.
Referências:

Formiga Elétrica

https://formigaeletrica.com.br/livros/terror-na-literatura/

Livro nas mãos

http://livronasmaos.blogspot.com/2013/01/genero-literario-terror.html?m=1

Da Literatura

http://www.daliteratura.com.br/2017/10/o-que-e-terror.html?m=1#

Livro: Canções Submersas (Lia Cavaliera)

Sinopse: Portas trancadas, nenhum sinal de arrombamento, nenhuma testemunha.
O edifício Belo Paraíso foi interditado.
O início da decadência se dá por um desaparecimento, seguido de uma série de acontecimentos macabros e sem explicação, que transformaram a paz do N°347 da rua São Pedro num local inabitável.
Mas, escute, há algo escorrendo pelas paredes. Escute, há uma voz ecoando nos corredores. Escute, tem alguém chamando.
Quem vai parar para escutar?

Assista a “BookTrailer 1 – CANÇÕES SUBMESAS” no YouTube

https://youtu.be/XKMMGNAJbc4

Mais informações:

https://www.catarse.me/cancoessubmersas?ref=project_link

Amizade colorida

— Quando ela saiu da piscina, pensei que não iria suportar ficar ali fingindo não querer beija-la. Mas talvez eu não queira algo a mais com ela, entende?

Disse Gabriel enquanto ajudava Larissa a escolher seu vestido para o baile. Ela, segurando um vestido vermelho e outro azul, que cobriam suas pernas tonificadas e bronzeadas com as quais Gabriel sonhava a muito tempo, não sentia nada quando ele falava de outras garotas. Ele, esperando qualquer sinal de ciúmes de sua amiga, sempre tocava em tais assuntos.

— Eai, qual desses fica melhor?

Gabriel olhou aquela mulher como se não a conhecesse, aquela por quem havia se apaixonada conseguia ficar ainda mais atraente dentro daquele longo vestido vermelho. Ele a via com outros olhos e o receio tomava conta de seus pensamentos. Se sentiu constrangido por falar de outra garota, mas sabia que Larissa nunca se interessaria por ele. Apesar de ter uma queda por ela, não poderia falar nada. Eles eram apenas amigos.

— Diz logo o que você achou, ainda vamos comprar sua roupa. Interrompeu os pensamentos.

— Você está perfeita!

— Você viu o outro? Não consigo decidir.

Naquele momento, Gabriel quase não prestava atenção ao que Larissa dizia. Enquanto ouvia sua voz, um longo flashback passava em sua mente. Aquela mulher linda e companheira é a única com quem ele já quis algo além de beijar. Sua melhor amiga. Aquela que faz a verdadeira falta quando não está por perto. Tudo passava a fazer mais sentido para ele. Ele precisava convida-la para o baile de formatura.

— O vermelho é o mais bonito.

— Ótimo, agora é sua vez!

Larissa foi até o caixa, pagou o vestido. Ela confiava muito na opinião do amigo. Enquanto isso, ele já havia escolhido o terno. Um básico preto, camisa branca, sem gravata. Olhava no espelho para garantir que os sapatos combinavam com o restante da roupa.

— Você nem mesmo pede minha opinião, né? Brincou Larissa.

Depois de pagar, os dois saíram da loja apressados para tomar um café antes da próxima aula. Larissa não parava de falar na festa. E Gabriel só pensava em uma coisa: como convidar sua amiga para o baile.

Era estranho chamar sua melhor amiga para dançar. Convidar para o baile tinha um significado diferente de amizade. E qual seria a reação de sua amiga ao saber que essa era a intensão. Como ele passaria a tratar sua melhor amiga como as outras garotas. Ela saberia desde o início. Como sempre sabe como ele age com as garotas.

— Vamos sentar nessa mesa? Gabriel falou depois de permanecer calado todo o caminho.

— Pensei que iriamos comprar para viagem. Está muito perto da próxima aula.

— Por favor, podemos nos atrasar um pouco?

— A gente já vai se atrasar um pouco. Interrompeu Larissa.

— Sente logo aí. Fingiu autoridade, tentando descontrair.

O café chegou e o silencio permaneceu junto com um clima estranho.

— Algum problema com você? Larissa quebrou o silencio.

Não. Na verdade, queria te convidar para ir ao baile comigo. Tomou coragem e falou enquanto segurava a mão de Larissa. Eu entendo caso esteja de olho em outra pessoa ou esperando um convite.

— CLARO! Claro que eu quero. Larissa interrompeu.

Daquele momento adiante, Gabriel era todo sorrisos, assistiu a aula, mas com o pensamento longe. A pouco tempo percebeu que o que sentia por sua amiga era muito mais que amizade. E tinha a oportunidade de fazer as coisas de uma forma diferente com Larissa. Da melhor forma que ele encontrasse. O baile daria a oportunidade dele se declarar de uma forma especial.

DIA DO BAILE

“Que horas te pego?”, digitou em seu celular. Te pego? Assim espero! Pensou consigo mesmo.

“hummm, vai ser o motorista da rodada? Como vai vir me pegar?”, Larissa respondeu.

“Consegui o carro com meu pai. Hoje não temos hora para voltar. Animada?”

“Muito. Pode me buscar às 22h. Não precisamos ser os primeiros a chegar, mas vamos chegar a tempo de aparecer nas fotos.”

“Claro, pode deixar. Até mais.”

O dia passou devagar para ambos. Gabriel tirava os poucos fios em seu rosto e corpo, Larissa escolhia a maquiagem perfeita, preparava unhas e cabelo.

Terminar o ensino médio era um momento muito especial. Um divisor de águas. Larissa não fazia ideia das intenções de seu amigo, mas estava com muito medo de não receber nenhum convite.

Quando a noite chegou, os dois se arrumavam como nunca. Gabriel, que ficou pronto primeiro, ensaiava no espelho aquilo que pretendia falar. Não queria deixar que sua amiga fosse para faculdade sem saber de seus sentimentos.

Exatamente às 22h, Gabriel saiu de casa. Chegou a casa de Larissa, tocou a campainha e esperou, nervoso como nunca. Quando ela saiu, sentiu seu coração bater mais forte. A menina que ele conhecia desde a infância, agora era uma mulher e ele se apaixonou por sua transformação. Tudo nela era lindo. Seu cabelo liso, com ondas nas pontas estava solto, o tom de castanho claro era iluminado pela luz da sala. Seu vestido vermelho contrastava sua pele clara, os sapatos ficavam escondidos pela barra do vestido longo, mas dava para ver seus dedinhos saindo da sandália. Não falou uma só palavra enquanto contemplava aquela mulher.

— Estamos felizes que Larissa vai ao baile com você, filho. É bom sabe que ela está com alguém que confiamos. Disse o pai de Larissa enquanto apertava a mão de Gabriel.

— Posso tirar uma foto de vocês antes de irem? A mãe de Larissa já estava tirando fotos quando falou.

Gabriel se aproximou de sua amiga, colocou em seu braço a pulseira de flores que havia escolhido e sorriu para a câmera.

— Vamos? Falou olhando em seus olhos.

Larissa pôde perceber aquele olhar diferente. Mas afinal seu amigo nunca a tinha visto daquela forma. E ela tinha razão, ele estava encantado. Mas já fazia muito tempo.

— Você está linda! Gabriel falou enquanto abria a porta do carro para ela.

— Obrigada, cavalheiro! Sorriu enquanto entrava no carro.

— Aperte os cintos, gata. É hora da festa! Brincou Gabriel.

Chegaram ao baile, assinaram uma lista que seria arquivada na escola e nunca mais seria lida e tiraram fotos da todas as formas. Depois de encontrarem alguns amigos, sentaram em uma mesa com várias pessoas. E Gabriel precisava da desculpa certa para ficar sozinho com ela. Então, tomou coragem para convidá-la para dançar a próxima valsa. Não imaginava que ela aceitaria, mas como foi o que aconteceu, ela estava disposto a aproveitar cada segundo para contar os seus sentimentos. Dançaram coladinhos. E Gabriel finalmente tocou no assunto.

— Está de olho em alguém essa noite?

— Não. Ela sorriu. Você está?

— Estou.

— E o que está fazendo aqui, então? Tá perdendo tempo. Ela soltou seu pescoço.

— Na verdade, eu não estou perdendo tempo.

— Espertinho, é algum tipo de estratégia. Não é toda garota que gosta de sentir ciúmes. Ok?

— Você gosta de sentir ciúmes? Gabriel olhou em seus olhos retomando o ar sério que queria da aquela conversa.

Parece que ela havia entendido. — Não gosto!

— Então estou no lugar certo. Ele confirmou.

Dançaram aquela musica até o fim, sem falar mais nenhuma palavra. Mas os pensamentos de Larissa não paravam. Será que havia entendido certo? Não queria perguntar aquilo. Quando a música acabou, Gabriel convidou para ir a um lugar menos barulhento. E ela teve certeza de que era aquilo que imaginou. Decidiu se deixar levar e acompanhou quem até então era seu amigo.

Caminharam até a parte de fora do salão de festas, quando pararam, Gabriel segurou a mão dela e olhou em seus olhos.

— Bom, não sei você já reparou antes, mas eu passei a sentir algo a mais por você. Algo além da nossa amizade, não sei quando isso surgiu, muito menos como. Mas conhecendo você como eu conheço, é difícil não se apaixonar. Eu falei de outras garotas para você, mas isso nunca despertou ciúmes e sei que não sente o mesmo por mim. Mas eu precisava te contar. Não seria justo esconder isso da minha melhor amiga. se eu tiver a chance de te mostrar eu faria o possível para te fazer feliz. Quando pensei em quem levar ao baile, você era a única pessoa que queria e não parei de pensar nesse momento.

— Primeiro, você já me faz feliz! Mas não estava preparada para isso. Realmente nunca percebi nada e te vejo apenas como amigo desde que me entendo por gente. Sei que você seria ótimo para mim, como já é. Mas tenho medo que isso estrague nossa amizade para sempre.

— Eu não quero ser apenas seu amigo a muito tempo.

— Eu estou muito surpresa. Não sei o que dizer.

— Você tem o tempo que precisar para pensar no assunto. Pode ficar tranquila. Eu vou respeitar sua decisão. E seja qual for, não vou sair da sua vida. Não será fácil se livrar de mim.

Larissa sorriu e os dois se abraçaram. E pela primeira vez, ela olhou nos olhos de seu amigo, imaginando beijar aquela boca. Um clima diferente cresceu dentro daquele abraço. A paixão invade quando menos esperamos e podia destruir aquela amizade. Mas o amor, ele pede permissão para ficar apenas dentro daqueles que o alimentam. Amantes e amigos era a combinação perfeita para duas pessoas que se amam de verdade. É o que torna duas pessoas realmente próximas, companheiras além de qualquer atração. Eles não sabiam como seria daqui para frente. Mas, o primeiro passo havia sido dado e independentemente da decisão de Larissa, tudo entre eles já havia mudado. Não tinha mais volta.

— Vamos entrar! Larissa interrompeu.

Durante a noite, ela dançou o tempo inteiro, rejeitou todos os caras que chegaram nela, tentou mudar o foco de seus pensamentos, mas o tempo todo pensava nos riscos que ela gostaria de correr. Ao olhar Gabriel distante, se imaginava não somente o acompanhando como sempre, caminhando lado a lado como todo o ensino médio, mas de mãos dadas. E procurou em suas lembranças alguém para ocupar aquele espaço, alguém que não fosse seu amigo. Procurou e não encontrei, porque não havia ninguém. Larissa nunca havia se apaixonado por outro garoto, muito menos imaginava qualquer daqueles caras ao seu lado, segurando sua mão.

— Preciso ir! Saiu rapidamente do ciclo de pessoas que haviam se reunido no meio do salão de dança.

— Ela estava estranha, não? — Alguém comentou na mesa. — Talvez Gabriel finalmente tenha se declarado para ela. Todos já perceberam.

— GABRIEL! — Ele estava saindo do local da festa, em direção ao carro. — Aonde está indo?

— Apenas dá uma volta, não estou me sentindo a vontade, então iria apenas pensar sem essa música alta ou varias pessoas com as quais precisamos fingir que estamos felizes. Me entende?

— Eu sempre te entendo. — Ela deu um sorriso. — Posso ir junto?

— Por favor! Falou enquanto abria a porta do carro para ela.

No caminho, um longo silêncio.

Depois de alguns minutos apenas passando pelas ruas sem destino algum. Larissa falou:

— Deveríamos fazer algo muito estupido.

— O que sugere?

— Não sei, talvez pichar a parede da escola ou estragar nossa amizade. Que tal?

Gabriel encostou o carro.

— Já que não temos tinta…

— Não seja um idiota comigo.

— Sou seu melhor amigo. Te protejo dos idiotas.

E eles se beijaram pela primeira vez. Na Rua dos Desesperados, em casa nenhuma. Depois, voltaram para o baile, entraram de mãos dadas dessa vez. E em todas as outras desde então.

 

O terreno fértil da vida

Dia de jardinagem na minha casa. Acordei às crianças cedo, fiz um café da manhã reforçado. Peguei as sementes e distribui entre eles. Observei o canteiro, a terra pronta para receber as sementes, fértil e generosa. Um dos meus filhos plantava sementes de cenoura e me perguntou:

“Será que essa pequena semente vai se tornar uma cenoura mesmo, mãe?”

Olhando bem para ele, respondi:

“É preciso confiar! Na vida precisamos confiar nas sementes que plantamos.”

Ele me olhou, refletiu e desacreditado, disse:

“Só preciso confiar?”

“Sim, filho!”. Respondi.

E enquanto regava a terra, pensei que a vida é semelhante àquele terreno que alimentamos até ficar fértil, pronto para receber as sementes que plantamos. É preciso plantar nossas escolhas com confiança, para não apenas seguir adianta, mas tomar as rédeas de nossa vida.