Resenha: Triste Fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto

BARRETO, Afonso Henriques de Lima. Triste Fim de Policarpo Quaresma. n. 1. São Paulo: Ciranda Cultural, 2010.


Por Wellytania Thais Sousa Morais       

    

    A obra é uma narrativa na terceira pessoa, dividida em três partes com capítulos médios. E vivenciada no Brasil, no contexto do início da República. Escrita por Lima Barreto (jornalista e  um dos principais escritores da literatura brasileira), foi publicado em 1911, primeiramente em folhetim e depois, em 1915, como livro. Retrata o patriotismo e nacionalismo do protagonista, que tem como ideais, considerados utópicos, as melhorias na política, agricultura e na cultura. E faz uma crítica a forma como as autoridades tratam aqueles que contrariam seus interesses e a própria sociedade limitada a aceitar tudo como estava.

        O personagem principal é o Major Policarpo Quaresma, um nacionalista, que vive no Rio de Janeiro, onde é funcionário público. Usa apenas o que é do Brasil e estuda com amor as terras, os costumes, música, política e tudo o que for de História do Brasil. Defende com zelo e da total prestígio e preferência a tudo aquilo que é naturalmente brasileiro. Seu gosto por livros o torna motivo de muitas falácias em sua vizinhança, principalmente pelo doutor Segadas, pois na época em que se passa a narrativa, o hábito da leitura só é natural aqueles que possuem alguma graduação. Major tinha poucos amigos, entre os poucos sua irmã Adelaide, seu compadre Vicente e sua afilhada Olga. A princípio, faz amizade com Ricardo Coração Dos Outros, um músico compositor de modinhas que começa a frequentar a casa do Major para o ensinar a tocar violão. Apesar disso ser mais um motivo de críticas e sua irmã alertar sobre o que andaram falando, Quaresma ignora o preconceito das pessoas com aqueles que tocam violão. Para ele, os costumes de sua terra deveriam ser preservados e a modinha tocada no violão era um deles.

      O fato marcante dessa primeira parte foi Policarpo, após estudar a língua Tupi Guarani, escrever uma carta para o presidente, pedindo que a língua fosse adotada como idioma oficial do país, fato que fez com que o Major fosse mandado para se internar em um sanatório (hospital psiquiátrico). Demonstrando o perigo no qual estava aqueles que se colocassem contra as autoridades do país.

       Lima Barreto denuncia os problemas sociais enfrentados nesse contexto, como o preconceito influenciado pelos burgueses e reforçado  com a falta de informações da sociedade. Após sair do sanatório, o subsecretário decide ir morar em um sítio e viver de tudo aquilo que as terras nacionais poderiam produzir, se dedicando à agricultura. E a fim de provar a fertilidade do solo brasileiro, não colocava adubos. Mas trabalhava todos os dias, enfrentando as pragas e a infertilidade.

     A Revolta da Armada, quando a Marinha brasileira se rebela contra o Governo de Floriano Peixoto, é o contexto da terceira parte do livro, quando o protagonista decide voltar à cidade para se aliar ao Floriano Peixoto, a quem tinha muita devoção. Ao fim da revolta, mandou uma carta se queixando da crueldade com o qual o presidente tratou os prisioneiros. Quaresma se surpreendeu com a falta de compaixão, alegando não haver necessidade para aquilo. A reação de Floriano ao ler a carta, foi mandar prender e matar o patriota, acusado de traidor. Seu amigo Ricardo tenta conversar com todas as pessoas que o conhecem e sabem de seu amor pelo país,mas ninguém quer se expor diante do autoritarismo do presidente. Momento em que o autor deixa claro a militância presente em sua obra, acusando o governo por sua falta de liberdade de expressão. A única pessoa que tenta ajudar Quaresma é sua afilhada Olga. E ele se encontra numa situação de total decepção por todos os anos que dedicou aos estudos, defendendo seu país, quando poderia ter saído, se divertido e construído uma família. Sente-se um sonhador iludido, traído pelos seus próprios ideais.

        Podemos encontrar em cada parte do livro uma forma diferente em que Lima Barreto põe seu personagem para correr atrás de seus ideais. Na primeira parte trata da cultura, enviando uma carta sobre a língua usada no país. Na segunda, se aventura na agricultura, tentando provar a fertilidade das terras brasileiras. E na terceira parte, se envolve com a política, contrariando a forma de governo do presidente. Das três formas, enfrenta as decepções que qualquer indivíduo brasileiro que se comporte como cidadão enfrentaria. Levando seus leitores a refletirem se cada um estava exercendo um papel social voltado para as melhorias ou apenas servindo de fantoches para o que estava sendo imposto.

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